16 de julho de 2010

Um idioma chamado “pernambuquês”

3
Geograficamente falando, sabemos que o Brasil é um país (lê-se único) dividido em cinco pedaços (lê-se regiões) e tem o português como idioma. Pode até ser, mas na prática não é bem assim. Ah, me chamem de louca ou de qualquer outro nome, mas, depois de lerem esta história, vão concordar comigo. Eu, uma nordestina, pernambucana, recifense, mais especificamente, fui passar alguns dias de folga em São Paulo, na capital mesmo. Durante esse passeio, descobri que não falo português, mas sim o “pernambuquês”. Não, não é preconceito linguístico (que aprendi a não ter na faculdade), muito menos preconceito regional. Descobri que moro num “continente” chamado Brasil, onde tem um “país” Nordeste. É lá que existe o estado de Pernambuco e sua capital, Recife, onde se fala a tal língua.

Certo dia, estava saindo do Terraço Itália (onde se tem uma bela vista de São Paulo), no Edifício Itália, pagando de turista com minha companheira de viagem, para ir até o Teatro Municipal. Sem termos ideia da nossa localização (mesmo depois de ter visto a cidade inteira lá do 41º andar), resolvemos perguntar ao segurança do prédio como chegaríamos lá.

- Teatro Municipal... hum... Você contoRna o edifício e segue em frente. No segundo farol, dobre a esqueRda e continue em frente. – explicou o segurança simpático.
- Ah, entendi. Arrudeio aqui e, no sinal, dobro, né? – indaguei na tentativa de confirmar meu entendimento.
- É, acho que é isso... – confirmou o segurança com a cara de “não entendi nada o que ela falou”.

Agora, pagando de gatinha na balada, o meu “pernambuquês” acabou me denunciando no meio de tantos locais. Enquanto dançava um bom samba rock, um paulista apareceu e começou com os trabalhos. Depois de muito blá-blá-blá, a água mole em pedra dura não furou. Ele acabou desistindo de mim (graças!). Horas se passaram e, já na hora de “pegar o beco”, a tal figura me aparece de novo, depois de ter passado a noite com loiras, morenas, ruivas... (acho que ele jurava estar subindo e descendo as ladeiras de Olinda no Carnaval).

- Lembro de você! Espera... deixa eu lembrar... – falou o paulista mais afogado que pedra de gelo num copo de whisky.
- É, lembra? – perguntei olhando para cara dele, esperando lembrar porque se lembrava de mim.
- Lembrei! Lembro porque você me deu o melhor beijo da noite! – comemorou.
- Cara, você está MUITO doido, porque, em momento algum da noite, te beijei. – comentei dando altas gargalhadas.

Ficamos alguns segundos discutindo a questão: “te beijei ou não te beijei” (mais parece nome de bloco de Carnaval). Ele insistia que sim e eu, claro, que não. Acabei ganhando no debate, mas a consciência dele veio à tona:

- Eu me lembro de você sim! Porque ouvi você falar “oxente” uma vez. Você é pernambucana! – afirmou o paulista com toda a certeza.
- É, sou! – confirmei um pouco sem graça.
- Sabia que me lembrava de você!

Ah, mas o meu “pernambuquês” é dos estrangeiros mesmo. Fazendo compras na feira da Liberdade, um tio com cara de chinês, japonês, sei lá, de oriental me veio com a melhor de todas. Conversava com ele sobre os preços de uns chinelos e percebi que me olhava com uma cara estranha, tentando entender o que eu falava.

- Desculpe, mas a senhorita é daqui? – perguntou o tio fazendo uma careta.
- Não. – respondi.
- Ah, é turista! Por acaso, é portuguesa? – perguntou ele fazendo careta de novo.
- Não. – respondi dando uma risada discreta.
- Então, é espanhola? – perguntou o tio com a cara de que “ainda descubro esse enigma”.
- Também não. – respondi gargalhando.
- A senhorita é de onde, afinal? – perguntou desesperadamente.
- Sou do Recife, Pernambuco, lá do Nordeste. – enfim, acabei com a agonia do tio.
- Ah, que legal! Desculpe, é que não estava entendendo direito o que a senhorita falava. – respirou ele aliviado.

Obs.: Este texto foi escrito apenas para lembrar que, apesar de sermos uma única nação e de vivermos no mesmo país, temos culturas diferentes. É o que torna o Brasil um país rico multiculturalmente falando e uma referência para tantos outros. Favor, deixe os preconceitos linguístico e regional de lado, ok? =)

3 de julho de 2010

Unhas bonitas x tempo: Uma eterna guerra

4
Adoro fazer pesquisas, pois acabamos descobrindo resultados inusitados, além de confirmar aqueles que já deduzimos de acordo com alguma suposição. Uma prova disso foi uma enquete que fiz, junto com três colegas da pós-graduação de Comunicação Empresarial, sobre o perfil da mulherada moderna, trabalhadora, estudante e com família no que se refere “fazer as unhas”. Como era de se esperar, o resultado da pesquisa apontou que o tempo é o maior “vilão” e, por conta dele, é preciso encontrar alternativas práticas para estar sempre bela, inclusive sair que nem uma louca atrás de uma manicure.

Para fazer as unhas, as mulheres costumam ir ao salão de beleza (46%) ou elas mesmas fazem em casa (29%). A minoria opta por uma manicure ir até a sua residência (8%). Perguntamos também às entrevistadas quando elas costumam fazer as unhas e o resultado foi unanime sobre o tempo. Dia de semana jamais! A maioria (41%) disse que faz em qualquer dia ou quando sobra tempo e 38% confirmou fazer sempre no fim de semana. Por conta disso, 53% da mulherada prefere fazer as unhas com hora marcada e, mesmo assim, não quer esperar muito tempo, no máximo, 30 minutos, de acordo com 58% das entrevistadas.

Na hora do desespero, 55% delas já deixaram de fazer as unhas por não encontrar profissional ou salão disponível no momento em que desejavam. Então, sairiam que nem loucas atrás de alguém ou de um salão, ou seja, 66% das participantes da pesquisa informaram que fariam isso. Agora, vem um dado curioso. Mesmo com esse posicionamento, 55% delas costumam fazer as unhas sempre com a mesma profissional ou no mesmo salão. Resumindo: a infidelidade só acontece na hora do desespero por unhas bonitas!

Apesar da falta de tempo e da correria, a vaidade feminina sempre fala mais alta. Isso porque 44% das entrevistadas costumam fazer as unhas semanalmente e 23% quinzenalmente. Para vocês terem uma ideia de como a pesquisa funcionou, colocamos na internet dois tipos de questionários distintos sobre o assunto, nos quais 166 mulheres responderam durante uma semana. Fizemos a divulgação da enquete no Orkut, correio eletrônico e Twitter.

Conclusão: Fazer unhas é uma necessidade básica para a mulherada, precisando ser inclusa na lista do kit sobrevivência.

9 de maio de 2010

Repórter de “guerra” eleitoral

1
Dentro de alguns meses, voltamos às urnas para escolher nossos representantes políticos em Brasília e nos estados. A cobertura eleitoral é algo emocionante, quando a disputa é acirrada, e até perigoso em determinadas situações. Foi assistindo a um filme, com meus pais, em que um repórter de guerra passa por muitos perrengues atrás de uma entrevista exclusiva com um criminoso de guerra, além de se vingar, - “A Caçada” (2007) - que me lembrei da aventura que passei no dia da votação passada, quando fui para a rua atrás de algum fato.

Certo, sei que nem a metade do que passei o repórter (Richard Gere) passou e que os assuntos nem se comparam (?), mas a sede de ir atrás do furo e a adrenalina é a mesma. Fui escalada para acompanhar um candidato a prefeitura de Olinda (Região Metropolitana do Recife - PE). A pauta era acompanhá-lo na votação em seu colégio eleitoral, ver o clima do local e segui-lo, para registrar a reação das pessoas e saber o que se passa pelas ruas. Assim que cheguei ao tal colégio e coloquei os pés para fora do carro, vi um policial expulsar um bêbado que queria votar de qualquer jeito.

Resumindo, a confusão estava armada. Todos na rua se reuniram para ver o ato e a pressão em cima da repórter aqui foi crescendo rapidamente, devido à fama do jornal em que eu trabalhava. Desacato a autoridade ou agressão ao cidadão? Cada um que defendia um posicionamento. Depois dessa recepção, o candidato chegou e o acompanhei tranquilamente. Vamos, agora, segui-lo de carro pela cidade, eu, o fotógrafo e o motorista. Por onde passávamos, a comemoração, após o ato, era feita silenciosamente, com exceção do povo, que bebia e se divertia naquele "dia de folga" na porta de suas casas.

Teve um momento em que corri, literalmente, pelo meio da rua atrás de uma viatura carregada com propaganda eleitoral proibida, deixando o carro e o fotógrafo para trás. Após a entrevista com o policial, que foi embora, dei por mim que estava só em algum lugar desconhecido, onde pessoas estranhas demonstravam não gostar muito da minha presença. Para a minha alegria, o restante da equipe logo chegou para me “resgatar”.

Ah, mas o melhor conto agora. O candidato parou próximo a um bar, que estava aberto. Fui averiguar, já que, no dia da votação, é proibida a venda de bebidas alcoólicas. Mal encarado, o dono do estabelecimento jurou de pés juntos que estava vendendo apenas comidas e refrigerantes e que as cervejas foram trazidas pelos clientes (?). Tudo bem. Continuamos seguindo a carreata silenciosa. De repente, a mesma viatura passa correndo por nós e para naquele bar. De súbito, mando o motorista voltar.

Quando chegamos ao local, a polícia já estava baixando as portas do bar. A confusão já estava armada, de novo, e nós recebemos a culpa. O dono do bar xingou até a minha mãe e peitou o fotógrafo. Minutos depois, percebo que a comunidade estava encurralando a gente (eu, o fotógrafo e quatro policiais). Um dos tiras chegou para mim e disse:

- Sai daqui, AGORA!

Não tive dúvidas: puxei o fotógrafo pela camisa, pois ele não queria sair nem a pau dali, e seguimos para o carro. Ah, foi chuva de latas de cerveja vazias, pedras e amontoados de santinhos em cima da gente. Um dos objetos, que não consegui identificar, quase bateu na minha cara. Só tive tempo de gritar uma coisa:

- Toca daqui, motô, VAI, VAI!

O motorista, novato naquele dia, saiu correndo de ré desesperado. Logo em seguida, só fizemos rir e o motorista estava duro ao volante, dirigindo no automático de volta para a redação.

Vocês precisavam ter visto a cara dos meus pais quando contei esta história!