Quando viajo, meu dilema sempre são as malas. Sei que é uma coisa que precisa ser trabalhada, apesar de já ter certa experiência com viagens. Foi lendo um post do blog da minha xará rapha no mundo sobre o assunto que me lembrei de um episódio que passei, mas não necessariamente “a cruel dúvida do que levar” e sim “levar encomendas”. Há um tempo, viajei para visitar minha prima peruana e conhecer a terra dos incas. Levei duas malas: uma mediana e outra grande. Até ai, tudo bem. A grande estava com minhas roupas e reservei a mediana para colocar os sapatos e para trazer os souvenires de viagem. Só que o uso na ida não foi bem assim...
Como minha prima peruana pouco vem pelas bandas de cá, a mãe dela sempre leva alguns quitutes brasileiros e pernambucanos na mala quando vai visitá-la. Dessa vez, ela me pediu para levar algumas coisas: Guaraná Antártica, farinha de mandioca, passoquita, flocos de cuscuz, entre outras coisas que não me lembro agora. Acho que, somando tudo, eram uns 10 quilos de quitutes locais. O problema é que tinha uma história de não poder levar esse tipo de coisas na mala, acho que por alguma legislação, que não tinha conhecimento, da vigilância sanitária peruana, enfim.
- Mas não se preocupe. Sempre levei e nunca tive problemas. Quando você desembarcar, terá que passar por uma triagem, apertando um botão. Se acender a luz verde, você pode passar. Acendendo a vermelha, terá que passar por averiguação. Comigo, sempre foi luz verde. – explicou a mãe da minha prima peruana.
Aceitei levar, porém sabia que essa história de luzes verde e vermelha não ia dar nenhum pouco certo comigo. Embarquei tranquilamente e, quando estava para chegar, precisava preencher uma ficha de imigração. No papel, dizia que era proibido transportar comida e tal. Logo pensei: “Que legal! Vamos lá!”. Ao chegar, passo pelo processo de desembarque internacional peruano mostrando meu passaporte. Diferente da experiência portuguesa, o funcionário lá mal olhou para minha cara e nem me perguntou absolutamente nada, apenas pegou meu passaporte, carimbou e me devolveu o documento.
Depois desse rápido processo de imigração, fui buscar minhas malas na esteira de bagagens. Sigo até a tal triagem, onde as pessoas apertavam o botão. Parei a certa distância e fiquei observando todo o processo. De fato, poucos acendiam a luz vermelha. Respirei fundo e segui em frente. Arrastando as duas malas, paro na frente do equipamento e aperto o tal botão. Sabe qual luz que acendeu? Claro e óbvio, a VERMELHA!
Uma moça do aeroporto que estava controlando a passagem lá pediu para me dirigir até um local onde teria que passar as malas no aparelho de raios-X. Foi ai que tremi na base e fiquei super nervosa. “Estou lascada!”, pensei. Quem operava a máquina era um homem com aquela cara padrão de peruano e nem um pouco simpático. Ele me pediu para colocar as malas na esteira e pegar do outro lado da máquina. Depois de alguns segundo de silêncio observando minhas malas no aparelho de raios-X, o peruano pergunta bem sério:
- Qual foi o seu voo?
- TAM, voo... é... do Brasil! – respondi toda desajeitada e nervosa, já que tinha ciência de estar fazendo uma irregularidade.
Novamente, silêncio. Esperei o pior diante daquela cena. Logo, me veio à cabeça ele dizendo: “Por favor, abra a mala!”. Para minha surpresa:
- Pode retirar as malas. – disse o peruano.
Não pensei duas vezes. Retirei as malas da esteira e sai o mais rápido que podia discretamente, com medo dele desistir e me chamar novamente. Quando encontro minha prima peruana, escuto:
- Danousse, menina! Para quê tanta mala?!?
- Ah, minha filha, nem me pergunte!
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2 de maio de 2010
22 de abril de 2010
Uma louca em minha vida espanhola II
1
Postado por
Rafaela Aguiar at 21:14
Depois de apresentar Mari – proprietária da casa que fiquei durante um mês em Madri -, no post anterior, começo este já contando os episódios mais marcantes dos tantos que passei naquele piso. Parar salir de marcha, era sempre uma novela, pois precisava destrancar a porta da sala, ir para o vão, trancar a porta, tirar e guardar as pantufas, pegar os sapatos que ficavam em um pequeno armário, calçá-los, colocar o casaco, abrir a porta externa e trancá-la ao sair. Esse mesmo esquema se repetia, no sentido contrário, quando chegava da rua. Tudo isso a pedido de Mari. Tinha que seguir esse padrão para que não nos esqueçamos de nenhum detalhe.
E como detesto seguir esses tiques nervosos e perturbadores, lógico que tinha de passar por momentos muito toscos. Um foi quando estava terminando de calçar meu All Star preto de cano alto, cheio de cadarços, (lembrem-se do esquema relatado acima) descubro que esqueci meu cachecol. O medo do frio falou mais alto e tive que “voltar metade da fita” para pegá-lo lá no quarto. Fiz isso xingando deus e o mundo em português, claro! Outro foi quando estava já descendo as escadas e lembrei que tinha esquecido de pegar o meu mapa. Crente que já estava ambientada na cidade e com preguiça de “voltar a fita toda”, deixei para lá e, nas minhas andanças, fui parar no bairro mais barra pesada de Madri. Ê, beleza!
Ah, também teve o dia em que eu entrei no quarto de Mari. Sim, isso foi algo extraordinário, pois apenas a cozinha, o banheiro social e os quartos das hóspedes (a casa só recebia chicas) ficavam abertos. Revoltada por não conseguir uma doméstica que saiba fazer limpeza em seu piso “adequadamente”, resolveu fazer ela mesma. Gente, ela desmontou a cama para limpar todo o quarto! Foi algo assustador quando ela me chamou para ajudá-la a remontar a cama. Fiquei parada na porta do quarto dela, por alguns segundos, tentando entender aquela situação.
Sim, ainda tive a oportunidade de conhecer a sala, graças a uma das chicas americanas hospedadas que recebeu, na casa, a visita do irmão e amigos que por ali passavam. Digo isso porque a bendita da sala vivia trancada. O espaço era enorme com um monte de cacarecos antigos, mas bonito. Uma típica sala de vó! Até hoje, gostaria de entender como uma pessoa abre as portas da sua casa para estranhos, porém não abre todas as portas da casa. Vai entender... E quando ela cozinhava? Fechava a porta da cozinha para a casa não ficar fedendo a comida. Oxe, quem deixasse a porta aberta ou entrasse e saisse com frequência levava a maior bronca!
Bom, no fim das contas, Mari não era uma pessoa ruim, apenas diferente de todos os españoles que conheci (não foram muitos): meio perturbada e louquinha com seus tiques nervosos e suas filosofias malucas. Apesar da recepção tosca e diferente que recebi, agradeci sua hospedagem lhe dando um pequeno caminho de mesa rendado. Ela ficou enlouquecida com o presente e logo o juntou aos outros antigos cacarecos que estavam na entrada da casa. Espero que ele esteja ainda por lá, até porque custou uma nota! Rs... Marcadores: Espanha, férias, viagem
E como detesto seguir esses tiques nervosos e perturbadores, lógico que tinha de passar por momentos muito toscos. Um foi quando estava terminando de calçar meu All Star preto de cano alto, cheio de cadarços, (lembrem-se do esquema relatado acima) descubro que esqueci meu cachecol. O medo do frio falou mais alto e tive que “voltar metade da fita” para pegá-lo lá no quarto. Fiz isso xingando deus e o mundo em português, claro! Outro foi quando estava já descendo as escadas e lembrei que tinha esquecido de pegar o meu mapa. Crente que já estava ambientada na cidade e com preguiça de “voltar a fita toda”, deixei para lá e, nas minhas andanças, fui parar no bairro mais barra pesada de Madri. Ê, beleza!
Ah, também teve o dia em que eu entrei no quarto de Mari. Sim, isso foi algo extraordinário, pois apenas a cozinha, o banheiro social e os quartos das hóspedes (a casa só recebia chicas) ficavam abertos. Revoltada por não conseguir uma doméstica que saiba fazer limpeza em seu piso “adequadamente”, resolveu fazer ela mesma. Gente, ela desmontou a cama para limpar todo o quarto! Foi algo assustador quando ela me chamou para ajudá-la a remontar a cama. Fiquei parada na porta do quarto dela, por alguns segundos, tentando entender aquela situação.
Sim, ainda tive a oportunidade de conhecer a sala, graças a uma das chicas americanas hospedadas que recebeu, na casa, a visita do irmão e amigos que por ali passavam. Digo isso porque a bendita da sala vivia trancada. O espaço era enorme com um monte de cacarecos antigos, mas bonito. Uma típica sala de vó! Até hoje, gostaria de entender como uma pessoa abre as portas da sua casa para estranhos, porém não abre todas as portas da casa. Vai entender... E quando ela cozinhava? Fechava a porta da cozinha para a casa não ficar fedendo a comida. Oxe, quem deixasse a porta aberta ou entrasse e saisse com frequência levava a maior bronca!
Bom, no fim das contas, Mari não era uma pessoa ruim, apenas diferente de todos os españoles que conheci (não foram muitos): meio perturbada e louquinha com seus tiques nervosos e suas filosofias malucas. Apesar da recepção tosca e diferente que recebi, agradeci sua hospedagem lhe dando um pequeno caminho de mesa rendado. Ela ficou enlouquecida com o presente e logo o juntou aos outros antigos cacarecos que estavam na entrada da casa. Espero que ele esteja ainda por lá, até porque custou uma nota! Rs... Marcadores: Espanha, férias, viagem
6 de abril de 2010
Uma louca em minha vida espanhola I
1
Postado por
Rafaela Aguiar at 20:00
Dia desses, relembrei, com uma amiga, um episódio que aconteceu comigo quando fiz uma viagem para Madri (Espanha) por um mês para estudar español. O assunto principal pode parecer um choque entre culturas bastante diferentes, mas, na verdade, tem relação com perturbação do juízo mesmo. Durante minha estadia na ciudad castellana, fiquei na residência de uma senhora que chamarei de Mari, com seus, acredito, 65 anos de experiência. Quando li a descrição da casa da mujer mayor que a escola de intercâmbio me passou achei bastante intrigante. Dizia que o local lembrava um museu, com peças antigas que colecionava de décadas anteriores. Já comecei a ficar com medo do que encontraria.
Soube por minha hermanita mayor española que o bairro onde “moraria” era onde estavam concentrados os pijos e pijas da cidade, ou seja, um bairro nobre. Fiquei surpresa quando vi minha “casa”: um edifício de cinco andares muy chulo, como dizem os espanhóis. Minha hermanita mayor estava me acompanhando e teve o mesmo susto que eu quando a porta do meu “apartamento” foi aberta por uma figura bastante pálida, de cabelos ruivos, óculos e roupa estranhos (não consigo defini-los). Passadas as apresentações, começaram os momentos de perturbações.
Antes de, realmente entrar na casa, existia um vão, onde eram colocados os casacos e sapatos. Isso, sapatos! Um par de pantufas bem graciosas já estava a minha espera. Então, pensei: “Estou mesmo na Espanha ou em algum país oriental e não percebi?”. Lá vai eu tirar meu tênis e por as pantufas, porque não podia entrar com “sapatos da rua”. Estava carregando duas malas (uma maior e outra pequena) e não podia arrastá-las pela casa. Era necessário carregá-las para não arranhar o piso de madeira que dominava todo o apartamento, pois estava impecavelmente encerado. Também, de hipótese alguma, podia aconchegar as malas no chão. Mari logo providenciou uns plásticos que pôs em cima da minha cama e, ali, desfazia ambas, para, em seguida, serem guardadas no porão.
Até ai, tudo bem. O negócio começou a esquentar quando Mari me apresentou as regras da casa, eram mais de 15, que me recordo. Estavam escritas em um papel plastificado em cima da mesa. Ela me pediu para ler atentamente. Até hoje, estou mal por não ter tirado uma foto e guardado. Eram coisas que iam desde o óbvio ao surreal. Não comer ou beber no quarto, nem sair de toalha pela casa após o banho. Ok! Agora, tomar banho apenas uma vez ao dia, repito UMA vez ao dia... Isso foi demais para mim! Fui logo indagando, mas a resposta de Mari foi de imediato:
- Moramos num país onde passamos por muita seca no verão. Precisamos economizar água! Se você precisar, pode utilizar a pia para lavar o rosto, os braços e as axilas.
Oi, como assim? Expliquei a ela sobre o nosso costume de, pelo menos, dois banhos ao dia, mas ela não entendeu. E acho que ela não sabe o que é, realmente, seca, mas, enfim... Precisei dar um “jeitinho brasileiro” nessa história de banho. Por uma questão de hábito, fiquei tomando o meu precioso e único banho pela manhã e fazia o esquema do tal “banho de gato” antes de dormir. Ainda bem que o fim do inverno europeu não me deixava suar durante todo o dia. Uma vez, que fui até em casa guardar umas coisas antes de fazer turismo, Mari não estava. E essa cena se repetiu por mais dois, três dias seguidos no mesmo horário. Pronto, essa foi minha deixa para tomar banho escondido.
É, podem rir, mas era isso mesmo. Ainda tinha mais, fingia que tomava o “banho de gato” quando ela estava em casa. Fazia mais isso quando saia de noite, porque salir de marcha pelas ruas de Madri sem tomar banho era o fim. Diante dessa história toda, estava quase me convencendo de que os madrileños tinham, de fato, algum regime de economia do uso da água. Foi quando eu contei minha história para um amigo espanhol. Ele só fez rir e disse:
- Essa mulher é perturbada, porque não tem nada disso aqui. Eu, por exemplo, tomo banho, pelo menos, duas vezes ao dia ou quando bem quiser.
Foi quando percebi que estava na casa de uma louca, que tinha síndrome de limpeza, mas não gostava de tomar banho. No próximo post, contarei mais sobre Mari, pois minha convivência com ela merece e deve ser registrada!
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Soube por minha hermanita mayor española que o bairro onde “moraria” era onde estavam concentrados os pijos e pijas da cidade, ou seja, um bairro nobre. Fiquei surpresa quando vi minha “casa”: um edifício de cinco andares muy chulo, como dizem os espanhóis. Minha hermanita mayor estava me acompanhando e teve o mesmo susto que eu quando a porta do meu “apartamento” foi aberta por uma figura bastante pálida, de cabelos ruivos, óculos e roupa estranhos (não consigo defini-los). Passadas as apresentações, começaram os momentos de perturbações.
Antes de, realmente entrar na casa, existia um vão, onde eram colocados os casacos e sapatos. Isso, sapatos! Um par de pantufas bem graciosas já estava a minha espera. Então, pensei: “Estou mesmo na Espanha ou em algum país oriental e não percebi?”. Lá vai eu tirar meu tênis e por as pantufas, porque não podia entrar com “sapatos da rua”. Estava carregando duas malas (uma maior e outra pequena) e não podia arrastá-las pela casa. Era necessário carregá-las para não arranhar o piso de madeira que dominava todo o apartamento, pois estava impecavelmente encerado. Também, de hipótese alguma, podia aconchegar as malas no chão. Mari logo providenciou uns plásticos que pôs em cima da minha cama e, ali, desfazia ambas, para, em seguida, serem guardadas no porão.
Até ai, tudo bem. O negócio começou a esquentar quando Mari me apresentou as regras da casa, eram mais de 15, que me recordo. Estavam escritas em um papel plastificado em cima da mesa. Ela me pediu para ler atentamente. Até hoje, estou mal por não ter tirado uma foto e guardado. Eram coisas que iam desde o óbvio ao surreal. Não comer ou beber no quarto, nem sair de toalha pela casa após o banho. Ok! Agora, tomar banho apenas uma vez ao dia, repito UMA vez ao dia... Isso foi demais para mim! Fui logo indagando, mas a resposta de Mari foi de imediato:
- Moramos num país onde passamos por muita seca no verão. Precisamos economizar água! Se você precisar, pode utilizar a pia para lavar o rosto, os braços e as axilas.
Oi, como assim? Expliquei a ela sobre o nosso costume de, pelo menos, dois banhos ao dia, mas ela não entendeu. E acho que ela não sabe o que é, realmente, seca, mas, enfim... Precisei dar um “jeitinho brasileiro” nessa história de banho. Por uma questão de hábito, fiquei tomando o meu precioso e único banho pela manhã e fazia o esquema do tal “banho de gato” antes de dormir. Ainda bem que o fim do inverno europeu não me deixava suar durante todo o dia. Uma vez, que fui até em casa guardar umas coisas antes de fazer turismo, Mari não estava. E essa cena se repetiu por mais dois, três dias seguidos no mesmo horário. Pronto, essa foi minha deixa para tomar banho escondido.
É, podem rir, mas era isso mesmo. Ainda tinha mais, fingia que tomava o “banho de gato” quando ela estava em casa. Fazia mais isso quando saia de noite, porque salir de marcha pelas ruas de Madri sem tomar banho era o fim. Diante dessa história toda, estava quase me convencendo de que os madrileños tinham, de fato, algum regime de economia do uso da água. Foi quando eu contei minha história para um amigo espanhol. Ele só fez rir e disse:
- Essa mulher é perturbada, porque não tem nada disso aqui. Eu, por exemplo, tomo banho, pelo menos, duas vezes ao dia ou quando bem quiser.
Foi quando percebi que estava na casa de uma louca, que tinha síndrome de limpeza, mas não gostava de tomar banho. No próximo post, contarei mais sobre Mari, pois minha convivência com ela merece e deve ser registrada!
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